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Vida e morte de John Stott

É difícil medir o impacto da vida do teólogo evangélico John Robert Walmsley Stott no mundo e na igreja evangélica. Sua morte -- aos 90 anos, no dia 27 de julho, em Londres -- gerou centenas de reações espontâneas em todo o mundo.

No Brasil, a velocidade da internet possibilitou que vários leitores relembrassem frases do teólogo, expressassem seus sentimentos diante da notícia e refletissem sobre seu legado.

John Stott foi único em muitos aspectos. Com inteligência e produção acadêmica invejáveis, se envolveu efetivamente com grandes questões contemporâneas do mundo e da igreja evangélica. Este envolvimento, no entanto, não o tornou sectário. É surpreendente perceber que diversas correntes do cristianismo lamentaram sua morte.


Como Stott conseguiu manter o equilíbrio entre suas convicções e a disposição para o diálogo? Como, mesmo tão famoso e respeitado, ele conservou e cultivou a busca pela humildade? Como o labor para encontrar a verdade na revelação bíblica não o afastou das grandes e complexas questões da atualidade?

Em um tipo de epitáfio, Stott revela no último livro, O Discípulo Radical, o fio condutor de sua vida e obra:


Gostaria de compartilhar o que tem feito minha mente descansar ao me aproximar do fim de minha peregrinação pela terra. É o seguinte: Deus quer que seu povo se torne como Cristo, pois semelhança com Cristo é a vontade de Deus para o povo de Deus. [...] E a forma como ele faz isso é nos enchendo com o seu Espírito Santo.


Que assim seja com todos nós.


Linha do tempo
  • 27 de abril de 1921: Nasce John Robert Walmsley Stott.
  • 1938: Converte-se na adolescência.
  • 1945: É ordenado ministro da Igreja da Inglaterra.
  • 1946: Encontra-se com Billy Graham pela primeira vez, na Inglaterra. O compromisso com o evangelismo foi a semente para uma longa amizade e o surgimento de um movimento missionário mundial.
  • 1947: Recebe o grau de mestre pela Universidade de Cambridge.
  • 1950: Assume o pastorado na igreja All Souls, na qual permanece por 25 anos, até a aposentadoria.
  • 1954: Publica o primeiro livro, “Homens Com Uma Mensagem”; uma introdução ao Novo Testamento e seus escritores.
  • 1958: Publica Cristianismo Básico, traduzido para mais de sessenta línguas e com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos.
  • 1959 – 1991: É capelão da família real britânica.
  • 1974: É um dos destacados líderes do 1º Congresso Lausanne para Evangelização Mundial e o principal redator do Pacto de Lausanne.
  • Até 2003: É um ativo vice-presidente da International Fellowship of Evangelical Students.
  • 2005: É indicado pela revista “Time” como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
  • 2010: Lança seu último livro, O Discípulo Radical.
  • 27 de julho de 2011: morre às 3h15 da manhã, em Londres.

 

O que Stott pensava
  • Cristo

“Não nos envergonhamos de Jesus Cristo, que é o centro e o cerne do cristianismo.”

  • Igreja

“O propósito de Deus não é salvar indivíduos e perpetuar seu isolamento. Deus se propôs a edificar a igreja, uma comunidade nova e redimida. A igreja está no centro do plano de salvação. Cristo morreu não só para nos redimir de toda iniquidade, mas também para reunir e purificar para si mesmo um povo entusiasmado pelas boas obras.”

  • História

“A vida não acontece por acaso. Para muitos, o curso da história é semelhante a pegadas de uma mosca bêbada numa folha de papel em branco. Mas não é assim. A vida não é aleatória, sem sentido, ou absurda. Deus tem planos para nós hoje.”

  • Unidade

“Hoje em dia muitos dos nossos cristãos evangélicos não hesitam em ceder à tendência patológica que temos de fragmentar-nos. Para tanto, nos refugiamos em nossas convicções sobre a unidade invisível da igreja, como se a sua manifestação visível não importasse. E o resultado disso é que o diabo acaba tendo maior sucesso na sua velha estratégia de ‘dividir e conquistar’. A nossa desunião continua sendo um grande empecilho para o nosso evangelismo.”

“Deus nos constituiu como seres humanos que pensam. Ele nos tratou como tais, comunicando-se conosco com palavras. Ele nos renovou em Cristo e nos deu a mente de Cristo. E nos considerará responsáveis pelo conhecimento que temos.”

  • Amizade

“Pergunto-me se valorizamos suficientemente a dádiva de Deus que é a amizade. Deus faz uso da necessidade humana da amizade para consolar-nos.”

  • Cruz

“Deus revelou seu amor e sua justiça através da cruz. E ninguém é mais digno de confiança do que o Deus da cruz.”

  • Discipulado

“O fundamental em todo discipulado é a decisão de não somente tratar Jesus com títulos honrosos, mas seguir seu ensino e obedecer aos seus mandamentos.”

  • Morte

“A perspectiva do discípulo radical é ver a morte não como o término da vida, mas como a entrada para ela.”

 

Repercussão entre teólogos e líderes
 

O mundo evangélico perdeu um de seus maiores porta-vozes. Eu perdi um amigo. Estou ansioso para vê-lo novamente quando eu for para o céu.
Billy Graham, evangelista

John Stott foi o mais modesto dos homens. Se soubesse antecipadamente do tema desta minha mensagem, certamente teria dito: “Concentre-se em Cristo, não em mim”.
J. I. Packer, teólogo anglicano

Dizer que devemos agradecer a Deus por ele é colocar em termos muito suaves. Todos nós somos enormemente beneficiados. Que possamos ser dignos desse legado.
N. T. Wright, teólogo anglicano

Deus me deu várias oportunidades para ouvir e conversar com John Stott. Sempre humilde (tomou lanche em nossa cozinha em São Paulo), sempre cordial, sempre pronto para expor um texto da Palavra de Deus. Ouvi-o pela primeira vez em Urbana, Illinois, Estados Unidos, expondo 2 Coríntios 2.14–6.11, perante onze mil jovens num congresso missionário, em 1964.
Russell Shedd, teólogo batista

Stott celebrou a santidade e uma vida simples, olhando para um universo completo e cheio da graça de Deus.
Mauro Maister, pastor presbiteriano

Sou parte da geração de líderes evangélicos latino-americanos que foi estimulada pelos textos de John Stott a pensar a fé de maneira integral e a compreender que o evangelho tinha dimensões extra-eclesiásticas.
Harold Segura, teólogo colombiano

Não é possível escrever a história da igreja no século 20 sem fazer referência a John Stott. Seu ministério abrangeu toda a segunda metade do século e, até mesmo com mais de 80 anos de idade, ele causou um impacto no século 21.
Chris Wright, amigo e diretor internacional da Langham Partnership International

Estou certo de que contarei à próxima geração... que um gigante andou na Terra em nossa época, e seu nome é John Robert Walmsley Stott.
Rev. Canon Benjamin Twinamaani, Uganda, África Oriental

Minha forma de compreender a conexão entre fé, cidadania e política foi profundamente influenciada pelo que ele escreveu e pregou. Fica um legado de fé, humildade e espiritualidade relevante que influenciou e influencia milhões de cristãos em todo o mundo.
Carlos Alberto Bezerra Jr., médico e deputado estadual pelo estado de São Paulo

[Stott] ensinou que o papel da teologia é participar dos grandes debates, crescer à proporção das respostas que deve à sociedade e se entender como serviço ao mundo.
Antonio Carlos Ribeiro, teólogo, jornalista e pastor luterano

John Stott transformou as palavras das frases bíblicas em janelas para a realidade da glória, ao explicá-las em sentenças claras, de forma persuasiva, completa, coerente, renovadora, livre de bobagens ou piadinhas espirituosas.
John Piper, teólogo e pregador reformado

Stott ficou célebre e respeitado no mundo porque soube equilibrar a academia com a simplicidade, a erudição teológica com a fé evangélica, preservou o saber da mente com o calor do coração. Ele continuará vivo através do legado dos seus escritos.
Durvalina Bezerra, diretora do Instituo Bíblico Betel Brasileiro

  • Na mídia

Stott mudou o cristianismo na Inglaterra mais do que reconhecemos.
Matthew Cresswell, jornal The Guardian

Stott foi um humilde estudioso cujos cinquenta livros aconselham os cristãos a emular a vida de Jesus -- principalmente sua preocupação com os pobres e os oprimidos -- e a se opor às mazelas sociais como a opressão racial e a poluição ambiental.
Nicholas D. Kristof, The New York Times / O Estado de São Paulo

John Stott era considerado uma das grandes lideranças mundiais evangélicas, que influenciou pastores, teólogos e líderes cristãos em todo o mundo, especialmente na América Latina.
Jornal O Globo

  • Entre os leitores

Stott deixa para milhões de discípulos de Jesus espalhados pelo mundo uma obra completa, repleta de verdades do evangelho, ensinando o que é ser de fato um discípulo radical. Ele me ensinou a ser um pouco mais parecida com Cristo, a entender melhor os ensinamentos do mestre.
Jacqueline Emerich Souza, Cuiabá, MT

John Stott, mais do que qualquer pastor que conheci, me apresentou Jesus de Nazaré. Fez-me olhar para a cruz com outros olhos: como o palco da maior demonstração de amor que o mundo jamais viu.
Kassio Flores Passos Lopes, Campo Grande, MS

John Stott foi a maior influência do meu ministério pastoral e da minha formação cristã.
Evandro Lutero, Fortaleza, CE

Aos 20 anos fui surpreendida pelas palavras acolhedoras e verdadeiras de John Stott a respeito do “cão de caça do céu”. O Jesus próximo, amável, misericordioso e que há muito me procurava (mas que eu rechaçava sempre com a racionalidade ignorante comum aos universitários) enfim me encontrou, e usou as palavras bem escritas de Stott no livro Por Que Sou Cristão.
Pabline Félix, Belo Horizonte, MG

O simples Stott
 

É incrível como a virtude da simplicidade está presente em muitas declarações sobre John Stott. Não somente opiniões, mas experiências concretas vividas com ele e que evidenciam que Stott era, de fato, um homem simples.

No entanto, Stott não se conformou em apenas viver virtuosamente a simplicidade. Ele ajudou outros a compreenderem o valor desta virtude em um mundo injusto e egoísta. Como presidente do Grupo de Trabalho sobre Teologia e Educação da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial, Stott realizou em março de 1980 a Consulta Internacional sobre Estilo de Vida Simples, na Inglaterra, onde reuniu 85 líderes evangélicos de 27 países.

A partir desse encontro, foi publicado o documento Compromisso Evangélico com um Estilo de Vida Simples, traduzido e publicado em português pela ABU Editora.


Em seu último livro, O Discípulo Radical, Stott destaca oito características de um verdadeiro discípulo de Jesus. A simplicidade é uma delas.

Ele lamentou que o impacto da Consulta Internacional tenha sido pequeno e o assunto não tenha recebido a devida atenção na época ou desde então. Leia a seguir alguns trechos do documento gerado pela consulta:

Jesus chama todos os seus seguidores a buscar uma liberdade interior em face da sedução das riquezas (pois é impossível servir a Deus e ao dinheiro) e a cultivar uma generosidade sacrificial (‘sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir’, 1 Timóteo 6.18). De fato, a motivação e modelo da generosidade cristã é nada menos que o exemplo do próprio Jesus Cristo, que, embora rico, se tornou pobre para que, através de sua pobreza, pudéssemos nos tornar ricos (2Co 8.9).

Só quando a nova comunidade se mostra mais claramente distinta do mundo em seus valores, padrões e estilo de vida é que ela apresenta ao mundo uma alternativa radicalmente atraente, e assim exerce sua maior influência por Cristo.

Enquanto só alguns de nós fomos chamados a viver entre os pobres, e outros a abrir seus lares aos necessitados, todos estão determinados a desenvolver um estilo de vida simples. Tencionamos reexaminar nossa renda e nossos gastos, e fim de gastar menos, para que possamos doar mais.

O compromisso pessoal em termos de mudança de estilo de vida não será eficaz se não houver ação política, visando à mudança dos sistemas injustos. Mas a ação política sem compromisso pessoal é inadequada e incompleta”.

É impossível proclamar com integridade a salvação de Cristo se ele, evidentemente, não nos salvou da cobiça, ou proclamar seu senhorio se não somos bons mordomos de nossas posses; ou proclamar seu amor se fecharmos nossos corações para os necessitados. Quando os cristãos se importam uns com os outros, e com os pobres, Jesus Cristo se torna mais visivelmente atraente.


A teimosa ênfase de John Stott na simplicidade não apenas nos estimula a admirá-lo, também nos encoraja a sermos mais responsáveis e justos com os recursos de Deus.
Além de resgatar a sabedoria e beleza contidas nas coisas mais simples, como os lírios do campo e as aves do céu.

Fonte: Revista Ultimato - Edição 332 - Setembro/Outubro 2011


Lissânder Dias é Executivo de Comunicação da Rede Mãos Dadas e articulista da Revista Ultimato e autor do blog Fatos e Correlatos

 



1 comentário(s)

Comentários


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